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Preguiça, tema instigante...

Enviado por Janete Ap Tarniowicz em 27/06/2010 às 11:23
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Preguiça
A falta de vontade para estudar
Por Cláudia França
 
Estudar exige dedicação, leitura e trabalho, portanto, para levar adiante este empreendimento é fundamental que o estudante possua vontade de adquirir o saber. E por que não dizer amor pelo conhecimento, já que acaba estabelecendo um envolvimento intenso que pode durar uma vida inteira. Mas, como em toda “história de amor”, é provável que uma vilã ou um vilão surja no meio do caminho. Uma das mais freqüentes vilãs é a famosa preguiça, principalmente quando o assunto é arregaçar as mangas para estudar.

Mas o que fazer para não deixar morrer esta linda história, entre o aluno e o conhecimento, justamente por causa da preguiça?
 
A preguiça de estudar é um desânimo causado pela ausência de recursos e situações que possibilitam, despertam e mantêm o interesse do estudante.

Se considerarmos que o conhecimento por si só já é sedutor e fascinante, entenderemos que qualquer indivíduo caminha nesta busca, afinal, existe alguém neste mundo que gostaria de não ser inteligente e sábio? No fundo todos querem ser inteligentes... Sendo assim, a disposição em avançar, continuar ou parar nesta caminhada depende de como se dá este encontro com o conhecimento. E isto envolve temas abrangentes, incluindo as condições físicas, psicológicas, sociais, intelectuais e entre outras.

Oferecer condições e infra-estrutura adequadas para o dia-a-dia das aulas é de importância relevante para o sucesso de um aprendizado, tais como, preparo de materiais, salas de aula, equipamentos, etc., mas por si só não bastam, ao contrário, acrescentam muito menos que se espera quando não estão aliados a um dinamismo didático. O caso exige que as particularidades do estudante sejam levadas em consideração, incluindo questões internalizadas, tais como, valores, princípios, objetivos, auto-estima, autoconfiança, entre outras. É necessário considerar que o aluno possui suas particularidades e que seu comportamento reflete a bagagem de conceitos oriunda de sua vivência. Mesmo os menores, enfim, todos carregam consigo valores e seus objetivos; é o caso da criança que sabe que não quer fazer a lição de casa, mas sim assistir ao desenho ou ficar brincando na rua. O problema não está em querer brincar, até porque, a diversão é essencial para a criança; o problema está no fato da criança não incluir em seus valores internos a prática do estudo. Isto porque ela ainda não considera o conhecimento oferecido pela escola como algo interessante e conseqüentemente o despreza. A preguiça é a forma que o metabolismo encontra de exteriorizar este desinteresse.

Como tudo na vida, o interesse depende do valor que a pessoa dá a determinada coisa. A sociedade atual está rodeada por um mix de informações e o aluno, na maioria das vezes, é facilmente conduzido a supervalorizar coisas lançadas na mídia em geral e erradamente acabam não desenvolvendo interesse pelos estudos. A vida escolar ainda enfrenta a problemática da adolescência, que por si só já desperta uma preguiça decorrente da intensa atividade dos hormônios e das metamorfoses ocorridas neste período.

Diante disso, é importante que o aluno se depare com situações em que o estudo seja encarado como algo realmente importante para suas vida, mais que isto, consiga ver que o estudo pode ser prazeroso, divertido e muito interessante. A preguiça é vencida a partir do momento que o aluno começa a sentir um despertar pelo mundo do saber. Para isso, ele precisará perceber que o conteúdo dado em sala de aula é aplicável em sua vida, que as ciências rodeiam o universo, sendo assim nasce o desejo de entender o porquê e o valor das coisas para a humanidade.

Tudo isto é bastante abrangente e deve ser motivo de reflexões diárias, principalmente para os professores de nossa sociedade, que precisam ir para salas de aulas conscientes de que irão deparar-se com um público assim, cheio de outras prioridades... E o que fazer? É óbvio que é necessário respeito para com estas particularidades do aluno, porém, não há como ser conivente com a preguiça de estudar. O professor precisará acrescentar, além do conhecimento da disciplina, muita criatividade em seu trabalho didático, de forma que o aluno não fuja, nem se perca no meio do caminho. O aluno precisa sentir-se próximo e, mais do que isto, enxergar que ele está inserido no mundo do saber, que o conhecimento faz parte de seu dia-a-dia e que faz muita diferença dedicar-se aos estudos, mesmo em sua tão pouca idade. A grande descoberta por si só faz com que o aluno se encante de tal forma pelo mundo do saber que não consiga mais ficar disperso. Quanto mais cedo esta postura é desenvolvida dentro da sala de aula, aumentam as possibilidades para que as escolhas futuras sejam mais maduras e conscientes. Uma constatação grave e triste é ver em cursos universitários, alunos perdidos e completamente descomprometidos com a profissão que “escolheram”, isto talvez seja conseqüência de uma má formação escolar nos anos iniciais e continuamente até os anos do Ensino Médio.

Como ainda é desconhecida uma receita pronta que indicará a solução, fica o convite aos professores: faça uma reflexão e acredite que todos seus alunos, no fundo, querem manter uma relação produtiva e atual com o saber, e você é um elemento importante para reavivar este amor que existe dentro de cada indivíduo. O aluno quer ser seduzido pelo saber, e nem sabe disso, por isso faz toda diferença o entusiasmo e a dedicação do professor. Para o aluno fica a conscientização de que a preguiça é apenas uma vilã que quer te afastar do verdadeiro aprendizado. Enfim, a preguiça interrompe a caminhada em busca do conhecimento, mas não se dê por vencido – seja curioso, comece a buscar as respostas dentro de você, nos livros, na educação, enfim, no mundo do saber.

Acredito que a preguiça seja consequencia de vários fatores sendo um deles a continuidade da mesma alimentação que se fazia na infância, mudando apenas quantitativamente. Nesta fase seria ideal reavaliar o cardápio e fazer mudanças que atendam à necessidade nutricional para esta fase. Nem sempre a preguiça aparente é preguiça real. Pode ser desmotivação ou inadequação das atividades propostas. Sem contar que há situações em que a preguiça é a linguagem usada pelo
aluno para dizer que aquela aula ou disciplina é um saco. Outro fator pode ser os horários de sono incompatíveis com as necessidades biológica do aluno. Muitos alunos sabem que estudar apenas não garante emprego, estabilidade e não vendo outra motivação deixa de se interessar pela prendizagem. Ninguem vê um adolescente com preguiça diante de uma boa aventura, um bom filme, uma festa animada com os amigos etc. Concordo pelos relatos que costumo ouvir de meus sobrinhos adolescentes que algumas aulas são soníferas, outras entediantes e ainda outras massantes. Haja energia!
(vidoca2@bol.com.br, mensagem enviada em 23/11/2003)
O tema é oportuno, pois vivemos em uma época com constantes e contundentes choques culturais por
diferenças de gerações. A preguiça sempre foi concebida pela concepção funcionalista do período de início do processo de industrialização, como fora pelo clero e outras correntes religiosas, como algo totalmente negativo, sendo sempre considerado como um desvio de comportamento, não necessitando qualquer reflexão sobre a gênese deste estado momentâneo de desmotivação, de indisposição, de desânimo. Evidente que apesar da evolução da qualidade e da divulgação de informações, alguns conceitos empíricos meramente frutos de um senso comum, continuam tendo os seus adeptos, até pelo enorme peso por ser fruto de uma cultura secular. Quando falamos em preguiça na escola, entretanto, estamos falando de um cliente muito especial, principalmente tratando-se de criança e adolescente, que tem na motivação sua principal característica. Entendo como necessária, uma criteriosa avaliação que envolva critérios sociais, fisiológicos, psicológicos, antes de classificar uma criança de preguiçosa por não ter respondido às motivantes tarefas prescritas pelo nossas escolas do Brasil. Finalizo destacando, que o ócio, o lazer, a recreação, erroneamente associados e classificados pejorativamente como sinônimos de preguiça, são elementos fundamentais
ao processo de formação global do ser humano.
(José Roberto Gonçalves de Abreu, Prof. de Educação Física, Professor titular da disciplina Lazer do curso de Turismo da Faculdade São Mateus. Coordenador de Educação Física do Centro de Estudos Avançados Nacional de São Mateus - pré-escola ao pré-vestibular, RJ, Estudante do 6º período de Fisioterapia, mensagem enviada em 28/10/2003)
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